Dinheiro agora já nasce em árvore

Dinheiro agora já nasce em árvore


É A NOVA ECONOMIA VERDE, que já movimenta, por baixo, 30 bilhões de dólares por ano.

Por Renata Lopes, de Denver, Capital mundial da Cannabis

Lembro da minha infância quando minha mãe falava "você acha que dinheiro nasce em árvore, menina?" quando eu pedia alguma coisa cara, ou quando perguntava porque ela tinha que trabalhar tanto. Saudade da época da ingenuidade, oh anos 80, quando ninguém falava no telefone se não estivesse em casa ou parado num orelhão. Não sabe o que é orelhão? Dá um Google!

Quando eu era pequena, e existia orelhão, talvez esteja muito longe. Mas falar de 20 anos atrás, no começo de 2000, na Califórnia, quando um pound de maconha (nos EUA se utiliza o sistema imperial de medidas, um pound são 454 gramas), era vendido por 4800 dólares, e o trimmer ganhava 200... Trimmer é o cara que faz a manicura final da flor, que tira com a tesourinha as últimas folhas, e que torna o bud comercialmente com cara de bud. Hoje tem pound sendo vendido na alta temporada por 500. Veja bem, são 454 gramas de erva pronta para fumar, 454 gramas, por 500 dólares, quase 1 dólar o grama. E o dispensário vai vender pra você por 10, 11, 13, 15 dólares o grama, antes dos impostos. Estamos falando de uma nova economia que ainda é praticamente toda ilegal e que já movimenta, por baixo, 30 bilhões de dólares por ano. Se você é rico, devia investir em maconha. 

O norte da Califórnia é o tradicional centro de cultivo de maconha nos Estados Unidos e a área conhecida como o Triângulo Esmeralda, onde ficam os famosos condados de Humboldt, Mendocino e Trinity, e que é conhecido por produzir a melhor maconha do planeta. Hoje, se você está comprando cannabis nos Estados Unidos, há 75% de chance dela ter sido plantada em algum lugar da Califórnia. E cada vez menos agora, já que mais e mais estados legalizam o plantio e comércio todos os anos. Apenas no condado de Humboldt existem cerca de 15 mil propriedades privadas produzindo Cannabis, e destas 15 mil fazendas, somente 2.300 já solicitaram licenças, das quais apenas 91 receberam as autorizações. Por isso, quase tudo ainda é ilegal no mundo canábico, principalmente na Califórnia, onde está o maior mercado, porque o estado é residência de 50 milhões de pessoas.

Já o estado do Colorado dá o exemplo para os demais estados que estão na caminhada da legalização, já que por lá toda a cannabis plantada e vendida é 100% regulamentada e testada e grande parte das transações de cannabis acontecem nos dispensários, as lojas autorizadas a comercializar cannabis e seus produtos derivados. O Colorado, que foi o primeiro estado a legalizar o uso adulto da cannabis em 2012, com as vendas começando em janeiro de 2014, viu o consumo de maconha entre os adolescentes cair nos últimos 6 anos, o mercado se desenvolver e evoluir e a arrecadação aumentar. Em 2019, o governo do estado do Colorado arrecadou 302 milhões de dólares somente com impostos da cannabis, um dinheiro todo reinvestido em educação.  

Na cabeça dos empresários da cannabis circulam nomes como Cronos Group, Aurora e Canopy que podem ainda não estar nas páginas dos jornais do Brasil, mas estão nos jornais dos EUA e Canadá, e suas ações estão correndo nas bolsas de valores de NY, Nasdaq e Toronto. Enquanto o Brasil fica estacionado na discussão pautada pela religião e proibição, nos Estados Unidos estão a um passo da legalização em nível federal. Nos EUA as leis que envolvem a legalização da maconha são estaduais, e apesar da população ter votado para legalizar a cannabis nestes estados, federalmente ainda é proibida e considerada uma droga de Classe 1, tão perigosa aos olhos do governo quanto a heroína. Mas estamos acompanhando as mudanças, pois essa realidade não deve durar muito mais tempo.

 

 

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